
A maioria das buscas feitas hoje é clique zero. Ainda assim, marcas continuam investindo apenas em ranqueamento no Google. Saiba como não cometer esse erro estratégico na era da IA.
Há alguns anos, para ter sucesso online era preciso estar bem posicionado nas SERPs. Hoje, essa realidade já é completamente outra, impulsionada principalmente pela expansão do uso da Inteligência Artificial.
Ferramentas de chat que usam linguagem natural, como ChatGPT e Gemini, passaram a assumir o papel de principais motores de resposta. Essas plataformas sintetizam conteúdos de múltiplas fontes e entregam respostas prontas.
Dados da Similarweb mostram que quando há resumos gerados por IA nos resultados, a taxa de zero-click pode chegar a 80%. Isso mostra que a nova era modificou a relação que marcas, empresas e criadores possuem com os buscadores.
Diferentemente de anos atrás, quando a classificação no Google era sinônimo direto de sucesso, hoje se tornar referência como parte da resposta gerada é a missão para conquistar visibilidade real. E isso implica readequar e reformular profundamente o SEO.
Descubra como atualizar suas estratégias e como se preparar para uma era de respostas com cada vez menos cliques.
Como é a visibilidade na era do clique zero?
No modelo tradicional, visibilidade era sinônimo de cliques. Estar na primeira página do Google, especialmente entre os três primeiros resultados, garantia tráfego.
Na nova era, com respostas diretas no buscador, o clique deixa de ser obrigatório. Em dispositivos móveis, por exemplo, um estudo da Up and Social aponta que até 77% das buscas terminam sem nenhum clique.
O setor de e-commerce também vem sentindo uma série de mudanças no comportamento de compra causadas pelas buscas sem cliques.
Assim, a visibilidade não se trata de quantas pessoas acessaram o conteúdo, mas de quantas receberam ou viram a sua informação. O site deixa de ser o destino e passa a ser uma fonte de consulta, referência e extração de dados.
Blocos de resposta, citações e presença de marca
A Inteligência Artificial, para construir suas respostas, usa uma mistura de fatores para considerar suas fontes. Os aspectos mais importantes para ser citado incluem:
- Domínio da marca e autoridade: quanto mais sua marca for citada, mencionada ou referenciada em diferentes sites, blogs, fóruns e comunidades, maior a chance de a IA entendê-la como fonte confiável.
- Conteúdo bem estruturado, claro e de fácil leitura: textos organizados com cabeçalhos, subtítulos, perguntas e respostas, listas e sumários são fáceis para a IA ler.
- Citações e validação externa: links de qualidade, referências e menções de outros sites respeitados continuam sendo elementos que dão peso à credibilidade do conteúdo.
Métricas de sucesso não são mais baseadas em visitas e cliques
Com esse novo paradigma, as métricas tradicionais podem perder relevância estratégica. Na prática, uma marca pode observar queda no tráfego orgânico, mas aumento nas menções em redes sociais, fóruns e até em respostas geradas por Inteligência Artificial.
Isso indica que o conteúdo está sendo utilizado como referência, mesmo sem levar o usuário diretamente ao site.
O que ganha importância na era do clique zero são indicadores mais sutis e significativos:
- Tempo de permanência e engajamento: se o usuário interage com o conteúdo, consome, lê, compartilha ou comenta, mesmo dentro de plataformas de IA ou redes sociais, isso indica relevância e profundidade.
- Menções e citações: se baseiam em quantas vezes a marca ou conteúdo é referenciado por outros sites, blogs ou redes sociais. Quantas vezes aparece como fonte em respostas de IA. E quantas vezes é citada por usuários ou criadores de conteúdo.
- Autoridade percebida e reputação digital: quão presente sua marca está em discussões relevantes dentro do seu nicho.
Essas métricas revelam o valor real da sua marca em relação ao reconhecimento, influência e capacidade de aparecer diretamente no momento da decisão ou da busca por informação.
Na prática: como otimizar o SEO para IA?

A transição de uma era baseada exclusivamente em ranqueamento para a realidade atual do zero-click growing exige uma profunda mudança na estruturação de conteúdo.
Por mais que não foque em posição, o SEO é um caminho eficiente para que o conteúdo seja escolhido como fonte para a IA. As estratégias devem abranger:
1. Conteúdo estruturado para máquinas e humanos
A legibilidade continua sendo um dos principais pontos de otimização. Agora, o conteúdo deve ser escrito para ser entendido pelas pessoas e facilmente interpretado pela IA.
Por exemplo, um guia estruturado com títulos claros, listas, perguntas e respostas é mais facilmente interpretado e citado por mecanismos de IA do que um texto corrido, sem hierarquia e sem divisão lógica das informações.
Veja um bom exemplo de estruturação de conteúdo que seguimos:
2. Construir autoridade para ser citado
Seja na pesquisa tradicional ou no clique zero, o conteúdo de alto valor ainda é a chave para o sucesso online.
Por isso, gere conteúdo que merece ser referenciado oferecendo análises profundas, dados originais, opiniões fundamentadas, comparativos e informações pouco banais.
Também é recomendado buscar por menções fora do próprio domínio. Guest posts, citações em blogs, artigos de terceiros, fóruns, comunidades e redes sociais são boas ferramentas.
Quanto maior a presença da marca em múltiplos contextos, maior a probabilidade de uma IA reconhecê-la como fonte confiável.
Por fim, incentive o conteúdo gerado por usuários. Depoimentos, avaliações e comentários reforçam reputação e confiança, além de fortalecer a presença da marca em ambientes externos. Participe ativamente de fóruns e discussões relevantes.
3. Expandir a otimização básica
Componentes do SEO tradicional, como palavras-chave, backlinks, estrutura técnica, velocidade e experiência do usuário, continuam relevantes.
No entanto, a busca pela classificação do topo deve ser substituída por ser fonte confiável para que a IA use o conteúdo para gerar respostas.
O SEO clássico deve ser somado às otimizações para motores generativos de IA: o GEO (Generative Engine Optimization).
4. Monitorar novas métricas de performance
Além de atualizar métricas básicas como visitas, taxa de rejeição e CTR, é importante monitorar:
- Quantas menções de marca ocorrem e em quais contextos.
- Quantas vezes os conteúdos são citados em outras páginas.
- Como seu nome aparece em redes, fóruns e avaliações.
- O aumento nas buscas de marca.
- As conversões indiretas via referências de IA.
Esses dados serão a base para estruturar as estratégias futuras em um ambiente digital em constante modificação.
Um site que está no topo do ranqueamento, mas não aparece dentro de uma resposta gerada por IA, perde relevância estratégica. Em contrapartida, quem se torna fonte, referência e autoridade conquista menções, citações e reconhecimento.
Na era do clique zero, a visibilidade não se mede por acessos, mas por presença. Se você produz conteúdo, o próximo passo não é ranquear melhor, mas se tornar indispensável como fonte de resposta.
Escreva para o seu público-alvo, sem perder o SEO
Em SEO, escrever para o público-alvo significa alinhar conteúdo, intenção de busca e linguagem real do usuário. Quando isso não acontece, o texto até pode ranquear, mas não retém, não converte e não constrói autoridade.
Por isso é fundamental escrever para o seu público, mas sem perder o SEO. Veja como fazemos:
1. Comece pela intenção de busca, não pela palavra-chave
Antes de escrever, identifique o que o usuário espera encontrar ao pesquisar aquele termo. Pense como se estivesse no lugar dele.
Exemplo prático:
- Palavra-chave: “conteúdo para blog”.
- Intenções possíveis:
- Iniciante: “como criar conteúdo para blog”
- Intermediário: “estratégia de conteúdo para blog”
- Avançado: “conteúdo para blog que converte”
Perceba a diferença do contexto que você vai gerar. Cada intenção exige abordagem, profundidade e estrutura diferentes. Um único texto tentando atender todas tende a falhar.
2. Use a linguagem que o público realmente utiliza
O SEO atual favorece conteúdos que refletem a forma natural de busca e leitura. Construa algo que supra as necessidades do seu leitor, de forma simplificada.
Exemplo prático:
Ao invés de escrever: “estratégias omnichannel para potencialização de ativos digitais”, use: “como usar vários canais para atrair mais clientes para o seu site”.
O segundo formato conecta melhor com o usuário e, muitas vezes, performa melhor em buscas long tail.
3. Responda rápido à dúvida principal
O Google mede comportamento. Então, se o usuário não encontrar o que procura, ele sai.
Boas práticas:
- Responda a pergunta principal nos primeiros parágrafos;
- Use H2 e H3 com dúvidas reais;
- Evite introduções genéricas e longas.
Veja como fazemos:
A resposta está logo abaixo da pergunta. O leitor não precisa descer a página até o final para encontrar a resposta para a sua dúvida. Além disso, exemplificamos com H3, dando dicas práticas.
Exemplo prático:
Se o título é “Escreva para o seu público-alvo”, o início deve deixar claro:
- Quem é esse público;
- Por que isso impacta o SEO;
- Como aplicar na prática.
4. Use exemplos conectados à realidade do leitor
Conteúdo genérico perde a relevância e o tempo de permanência. Exemplo prático:
- Para um público de marketing digital:
“Uma agência de SEO que escreve para e-commerce foca em categorias, comparativos e intenção de compra. Para B2B, o foco está em educação, autoridade e tomada de decisão.”
Isso ajuda o Google a entender o contexto e o leitor a entender a aplicação, ajudando o conteúdo a receber clique zero.
5. Estruture o conteúdo para a escaneabilidade
SEO não é só texto, e sim é experiência. Portanto, invista em:
- Parágrafos curtos;
- Listas objetivas;
- Headings descritivos;
- Interlinks para conteúdos relacionados.
Exemplo prático:
Um texto bem estruturado aumenta o tempo na página, reduz a taxa de rejeição e melhora a taxa de conversão e os sinais comportamentais. Esses são fatores indiretos de ranqueamento.
Veja como fazemos:
6. Revise com foco em utilidade e busca
Antes de publicar, valide se:
- Este conteúdo responde melhor que os concorrentes?
- Atende a uma intenção clara?
- Usa termos que o público realmente pesquisa?
O SEO sustentável nasce quando o conteúdo é útil para as pessoas e legível para os motores de busca.
Então, escrever para o público-alvo é uma das decisões mais estratégicas em SEO. Quando intenção, linguagem e estrutura estão alinhadas, o conteúdo ganha relevância, engajamento e posicionamento de forma natural.
Agora você já sabe como fazer e receber clique zero. Quer ajuda?



