De quem é o prêmio?

A ideia é boa e o cliente gostou bastante. O atendimento ganhou a simpatia do cliente, a mídia negocia o espaço no jornal regional, o planejamento já pensa na verba para a próxima campanha. O pessoal da criação acabou ralando muito, tendo que ficar trabalhando na agência até meia-noite para deixar o layout pronto a tempo para veicular no dia seguinte. E a única recompensa foi a pizza que chegou quentinha através do motoboy.

O dono da agência ficou contente com o desempenho. Mas o que os criativos querem mesmo é que a campanha fique bem alinhada, traga mais negócios ao cliente e, se Deus quiser, inscrever as peças em festivais de propaganda. O que vale mesmo é ter um reconhecimento global e ter a certeza de que se ganharem um prêmio, já podem até pedir um aumento para o chefe no dia seguinte.

Se a agência resolver não inscrever nenhuma peça não há problemas. O pessoal da criação acaba fazendo uma vaquinha e paga todas as inscrições com o dinheiro do próprio bolso. Isso, infelizmente, também acaba acontecendo.

Aí passam semanas, a dupla aborrecida muda de agência, desenvolve ideias para outros clientes e um certo dia recebe a notícia que aquela campanha, criada na outra agência, levou ouro no Festival de Cannes.

A agência faz a festa e os criativos ficam contente. Mas de quem é o prêmio? Quem é que vai no palco para receber o leão?  Teoricamente é a agência, que levou o briefing para a agência, negociou a mídia, aprovou a idéia com o cliente e que acaba tendo a fama.

Sem problemas, todo mundo acaba saindo ganhando de qualquer maneira. Mas pelo menos a agência deveria devolver o valor da inscrição para os criativos e garantir também uma boa recompensa para eles.